Artigo


Como Lidar com o Estresse

"- Estou estressado!!!" Esta é uma das frases mais comuns que circulam entre as pessoas originárias das mais diversas partes do mundo. Mas, afinal, o que é o estresse? Como preveni-lo?

Estar sob estresse significa estar sob pressão, tensão e, portanto, sob a ação de um estímulo insistente capaz de provocar um conjunto de reações orgânicas, mentais, psicológicas e/ou comportamentais, com a finalidade de adaptar o indivíduo à nova situação.

Ao contrário de que muitos pensam trata-se, portanto, de uma reação benéfica, uma resposta rápida de nosso corpo a um sinal de perigo que nos permite acionar nossos mecanismos internos de luta e fuga. Se outrora estas reações limitavam-se apenas à preservação da espécie, atualmente envolvem, além dos perigos físicos, os psicológicos.

Hoje, em um mundo globalizado permeado por crises sociais, econômicas e disputas das mais variadas ordens, o estresse patológico passou a ser um tema em voga, sendo considerado um problema de saúde pública, principalmente entre os países mais industrializados. Diga-se de passagem que no Japão, por exemplo, há um tipo de estresse, reconhecido oficialmente como "karoshi" (ou morte por estresse devido ao excesso de trabalho), o qual tem levado a óbito cerca de 10 mil trabalhadores por ano.

Pesquisas científicas têm nos alertado que 70 a 80% das consultas médicas na atualidade estão relacionadas (direta ou indiretamente) ao estresse, tais como: doenças cardíacas, de pele, gastrintestinais, neurológicas, além de desordens psíquicas e do sistema imunológico.

Sendo assim, será então que todos nós estaremos fadados a padecer deste mal do século? Como fazer para driblá-lo?

Embora a grande maioria das pessoas já tenha passado por uma ou mais situações extremamente estressantes, o desenvolvimento do estresse patológico dependerá de um conjunto de fatores, que variarão desde as características de nossa personalidade, estado geral de nossa saúde física e psíquica até a própria situação vivenciada. Ou seja, nem todos nós responderemos da mesma forma a estímulos estressores semelhantes, sejam eles positivos (casamento, nascimento de filhos, mudanças, promoção, etc.) ou negativos (luto, doenças, perda de emprego, divórcio, guerras, etc). Em outras palavras, o grau de adaptabilidade do indivíduo ao novo, ao inesperado será em grande parte afetado por suas crenças pessoais e visão da realidade.

Mas, se o estresse depende da maneira como encaramos as situações que nos apresentam, de nossas características pessoais, como combatê-lo?

Em primeiro lugar é importante relembrar que o estresse não é uma situação ruim em si. Em doses adequadas, como vimos, ele pode ser um fator de motivação, porém em exagero, levar-nos às diversas patologias e até à morte.

É importante também salientarmos que existem diferentes níveis de estresse, os quais geralmente se instalam paulatinamente. Na 1ª fase costumamos ter uma Reação Aguda desencadeada por nosso cérebro, independentemente de nossa vontade, ao interpretarmos (segundo nossa subjetividade) uma situação como ameaçadora, o que nos impede de termos uma maior adaptação física, mental, emocional ou social. Desaparecendo o elemento estressor, as alterações físicas e/ou psicológicas tendem também a findar-se.

Há, porém, indivíduos com determinadas características personalógicas que os tornam mais propensos a caminhar para as demais fases. Entre eles encontraremos pessoas inflexíveis, que não se permitem relaxar, com grande grau de exigência sobre si mesmas, que não toleram erros, ou ainda, aquelas subservientes, que não sabem dizer não, extrapolando todos os seus limites físicos e psíquicos por medo ou para serem aceitas, que se dedicam a um só aspecto de sua vida (trabalho, família, etc), com objetivos não definidos, baixa auto-estima, entre outros.

Quando não atentamos para esta fase de pseudo-equilíbrio, tendemos a acumular mais tensão e entramos, então, numa 2ª fase (Fase da Resistência) onde alterações na nossa maneira habitual de ser e maior facilidade para novas reações agudas podem ser facilmente observadas. É como que se o nosso organismo pudesse antecipar as respostas e acabamos nos acostumando com os elementos estressores, incorporando-os ao nosso dia-a-dia, sem percebermos seus malefícios.

Se não tivermos condições de avaliar este estágio possivelmente passaremos para a 3ª fase (Fase da Exaustão), a qual será caracterizada por uma queda acentuada dos nossos mecanismos defensivos, reações emocionais exageradas (agitação ou apatia), mudanças de comportamento (irritabilidade, ansiedade), alterações fisiológicas ou psicossomáticas (sono, doenças físicas sem causa aparente), distúrbios de concentração (memória, dificuldades em estabelecer prioridades) e de raciocínio (lento ou acelerado).

Nem sempre é possível ao leigo reconhecer estas fases, sendo que a ajuda de um profissional da saúde torna-se muitas vezes imprescindível.

Mas, se não podemos mudar o mundo e as pressões dele advindas, vamos tentar fornecer aqui algumas dicas úteis ao combate do estresse patológico.

Em primeiro lugar, para que possamos lidar com o estresse é necessário reconhecermos que ele tem uma dupla origem: os fatores internos, ou seja, aqueles inerentes a nossa personalidade, nossa maneira de ser e de agir no mundo e os externos, dos quais temos pouco ou nenhum controle.

Embora reconheçamos a existência de ambos é importante que atentemos mais para a nossa programação mental (respostas ao estresse) do que com o elemento estressor em si, no intuito de diminuir nosso desgaste físico, mental, emocional e energético.

Isto pode ser feito através da adoção de uma postura de introspecção, pois com certeza, quase não paramos para reavaliar nossas atitudes, nossas crenças pessoais, nossa maneira de ver a realidade. Alegamos não ter tempo suficiente para darmos uma pausa, relaxarmos, divertirmo-nos, realizarmos atividades físicas, prestar atenção em nós mesmos ou, ainda, curtir nossos entes queridos. Racionalizar nosso tempo é uma arte que deve ser aprendida. Caminharmos sem tréguas, sem descansar, é no mínimo algo improdutivo e prejudicial a nossa saúde física e psíquica.

Por outro lado, embora muitos optem pelo uso de drogas, medicamentos para aliviar o estresse, sabemos que esta é apenas uma ação paliativa, pois aqui, certamente, estaremos eliminando os sintomas, as conseqüências e não as verdadeiras causas. Uma maior quantidade e qualidade de sono, alimentação saudável, exercícios físicos, lazer, uso de técnicas de relaxamento e de terapias alternativas preventivas (ex: reiki, florais, acupuntura, cromoterapia, yoga, meditação, etc.) podem ser, neste momento, importantes aliados na prevenção e combate ao estresse.

Trabalhar nossa auto-estima, reavaliar nossos pontos de vista investindo no autoconhecimento são atitudes que também nos ajudam a transformar o elemento estressor em motivação e ação. Lembre-se: se você não pode modificar algo no momento, reavalie a forma pela qual você está lidando com a situação. Com certeza encontrará alternativas mais construtivas e equilibradas que garantam a sua saúde e bem-estar.