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Depressão

Muitas pessoas costumam confundir a tristeza ou o estado depressivo com a depressão clinicamente reconhecida.

Se algumas chegam ao consultório dando seu próprio veredicto, acreditando não ter força suficiente para enfrentar o dia-a-dia, outras ignoram a ajuda de um profissional especializado. Nestes casos, na tentativa de aliviar suas dores emocionais optam pela automedicação, seja por iniciativa própria, sugestão de amigos, parentes ou vizinhos. Na pior das hipóteses, porém, acabam por se entregar a um cruel destino deixando-se levar pela vida, desacreditadas do seu próprio potencial criativo.

Temos ciência de que o uso medicamentoso em certos casos de depressão é altamente recomendável. Entretanto, precisamos nos atentar para o fato de que eliminarmos apenas as conseqüências, amortizando nossos sentimentos através do uso dos psicofármacos, não representa uma solução acertada. Se não encararmos as causas responsáveis por este sentimento de pesar, revendo principalmente as posturas e crenças que adotamos e o nosso grau de flexibilidade frente aos obstáculos que se apresentam, dificilmente chegaremos ao equilíbrio.

Mas, como saber quando devo procurar um profissional da saúde para diagnosticar se realmente o que eu tenho é depressão?

Antes de responder a esta pergunta, vamos, em primeiro lugar, tentar definir o que é depressão.

Do ponto de vista da Psicologia ela é tida como um TRANSTORNO DE HUMOR caracterizado por sintomas e sinais físicos, psíquicos e sociais. É um estado patológico de sofrimento psíquico e de culpa, que costuma vir acompanhado por uma redução dos sentimentos e valores pessoais, diminuição da atividade mental, psicomotora e orgânica, sem que haja uma deficiência real.

Sabemos que todos nós temos um limiar para suportar a dor, o sofrimento, a frustração sem que algo mais grave nos aconteça e que este limite está diretamente relacionado ao nosso grau de coesão interior. No caso da depressão, muitas vezes, verifica-se que o conjunto de crenças e valores, que norteavam nossas vidas até o momento, não dão mais conta de responder as nossas inquietações interiores, principalmente no que tange aos aspectos relacionados às perdas reais e de nossas referências, levando-nos ao adoecimento físico e psíquico.

Segundo as ciências médicas, que ainda não tem claramente o conhecimento total da origem da depressão, este estado patológico não decorre somente de um conflito interno, mas pode também ser desencadeado por alterações bioquímicas, fatores biológicos, genéticos ou psicossociais. Seja por eventos estressantes, perda, mudanças, alteração de níveis hormonais, distúrbios dos neurotransmissores ao nível do Sistema Nervoso Central, medicamentos, drogas, frustração, entre outros, este estado de humor acaba afetando a auto-estima do indivíduo e todas as áreas de sua vida, levando-o a perder a capacidade de amar a si e aos outros e a dirigir a sua agressividade, principalmente, contra si mesmo.

Costumo dizer, que as pessoas mais propensas à depressão são aquelas que geralmente têm uma baixa tolerância à frustração, são rígidas e inflexíveis em seus valores, estabelecendo metas para si que dificilmente podem ser alcançadas. Quando não conseguem cumprir seus intentos são cruéis consigo mesmas e em seus julgamentos, punindo-se pelo ideal não atingido.

É importante também destacar que a dinâmica depressiva pode se instalar em qualquer fase da vida do indivíduo, sendo que a intensidade dos fatores desencadeadores irá se defrontar com a resistência psíquica do indivíduo. Quando a pessoa não consegue suportar as pressões internas ou externas, a depressão encontra seu campo fértil. Ou seja, diante do conflito o indivíduo acaba por ser invadido por pensamentos de culpa, abandono, medo, impotência, ou até mesmo de persecutoriedade, delírios e alucinações, angústias estas muitas vezes condensadas através dos mecanismos defensivos e dos sintomas.

Vale ressaltar, aqui, que há uma infinidade de sintomas que definem os diversos tipos de depressão existentes, sendo difícil até para os próprios profissionais da saúde fechar um diagnóstico preciso.

Ao contrário que muitos pensam, na depressão nem sempre o indivíduo apresentará uma redução ou lentidão de seu comportamento motor, com postura encurvada, olhar parado (depressão com retardo), mas também poderá tender ao oposto, ou seja, apresentar uma agitação psicomotora (depressão agitada).

Já, entre os sintomas cognitivos geralmente observa-se um rebaixamento da auto-estima, sensação de culpa pelo fracasso, pessimismo, exagero na seriedade dos problemas, redução da motivação, pensamento lento. Entre os sintomas somáticos, por sua vez, encontraremos: perda de sono ou redução do apetite ou na intimidade sexual.

Algumas vezes, a depressão pode preceder, acompanhar ou suceder doenças físicas ou psíquicas, tais como AVC, tumor cerebral, problemas da tireóide, etc (Transtorno Depressivo Orgânico). Em outros casos, ela pode caracterizar-se por episódios de depressão e euforia ou mania. Aqui as oscilações de humor podem ocorrer de forma gradual ou abrupta. A mania geralmente afeta o pensamento, o julgamento - senso crítico e o comportamento social, apresentando-se como euforia, irritabilidade, hiperatividade, insônia grave, idéias de grandeza, logorréia, aumento da energia, redução do senso crítico, distração, etc. (bipolar).

Temos, também, casos de depressão (distimia) onde o indivíduo apresenta sintomas depressivos crônicos, prolongados e, não raro, incapacitantes intercalados por períodos, dias ou semanas de bem-estar. Estas pessoas geralmente são poliqueixosas, incapazes de sentir prazer, referindo-se principalmente à sensação de cansaço. Podemos encontrar, ainda, a depressão pós-parto e a TPM que também são formas desta patologia com sintomatologia específica.

Outro ponto importante a ser mencionado é que a depressão nem sempre aparece de forma clara, podendo ser mascarada por sintomatologia somática. Ou seja, nestes casos encontraremos freqüentemente dores atípicas, físicas e persistentes, tais como, cefaléias, algias (dores), lombalgias, rectalgias, com ausência de causas orgânicas e desproporção entre as dores alegadas e o grau de incapacidade funcional e ineficácia dos tratamentos sintomáticos.

Porém, na grande parte dos casos, a depressão dependerá de um fator desencadeante (geralmente acontecimentos do cotidiano), sem haver, porém, a perda da capacidade de raciocínio, de trabalho e da execução das atividades diárias. Este tipo de depressão é chamado de Reativa ou Neurose Depressiva sendo que sua duração geralmente é curta.

Mas, como saber se sofro de depressão? Quando procurar ajuda especializada?

Há alguns sintomas e sinais que indicam a grande possibilidade de estarmos diante de um quadro depressivo, a saber: insônia ou sono excessivo, humor deprimido a maior parte do dia, sentimentos de culpa, redução do interesse e do prazer nas atividades do dia-a-dia, agitação ou lentidão observável por outras pessoas, fadiga ou perda de energia quase todos os dias, alterações significantes no peso ou apetite, indecisão, perda de concentração, pensamentos de morte ou ideação suicida.

Se você sofrer pelo menos de quatro destes sintomas ao mesmo tempo seria interessante procurar uma ajuda especializada para fazer uma avaliação conclusiva, pois é grande a possibilidade da presença de um quadro depressivo.

Mas, como superar as variações de humor, mantendo a serenidade e a paz em todas as situações?

Em primeiro lugar é evidente que não faremos isto da noite para o dia, pois este processo envolve uma profunda mudança em nossa maneira de pensar e agir, o que pede o concurso do tempo. Considerando-se, entretanto, que as influências boas ou más passam necessariamente pelos condutos de nosso pensamento, podemos iniciar com o nosso próprio esforço disciplinando nossa mente, não nos permitindo idéias negativas.

Sabemos, porém, que nem sempre teremos recursos internos suficientes para superar a nossa dor emocional e mudar nossa forma de enfrentá-la. Nestes casos, recomendo um tratamento mais abrangente, ou seja, holístico (médico, psicológico, social, energético, espiritual).

Com relação às terapias alternativas, estas serão de grande valia nestes casos, já que o tratamento energético proporciona um realinhamento do chakras e consequente reequilibrio das emoções oferecendo, assim, maiores condições para o indivíduo ter insights e mudar certos padrões de crenças. Na maioria dos casos são estes padrões deturpados de crenças que nos levam ao desequilibrio energético e emocional, pois nos desviam de nossa verdadeira essencia.

Hoje em dia, muitos profissionais fazem menção, ainda, ao tratamento espiritual, ou seja, aquele centrado na fé, independente do credo ou religião adotados, uma vez que este pode auxiliar o indivíduo a ter maior resignação frente ao seu sofrimento, amenizando-o e encorajando-o a lutar por si mesmo.

Seja qual for a sua opção, valorize-se enquanto alguém merecedor. Por maior que seja o obstáculo, há sempre uma infinidade de alternativas a nossa frente, que só podem ser vistas a partir do momento em que aprendemos a olhar para nós mesmos, enquanto seres merecedores de amor e compaixão.

Vídeo da entrevista concedida à NGT programa Vida e Saúde sobre depressão: youtube formato wmv