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Relacionamentos: a procura de um novo amor

Tenho observado, cada vez mais, que as pessoas correm desenfreadamente em busca de um parceiro ideal, uma razão para viver. Aquela pessoa que trará magicamente a felicidade. E aí elas saem para conhecer diferentes pessoas, seja nos sites de relacionamentos, nos barzinhos, baladas, apresentações através de amigos, etc.

Acabam confundindo uma boa noite de sexo com amor, se apaixonam facilmente, mas perdem logo a admiração pelo companheiro quando estes não satisfazem suas necessidades narcísicas. Ou seja, estas pessoas deixam de entrar em contato com seu interior, buscando no externo aquilo que deveriam descobrir em si mesmas para serem felizes.

É muito comum encontrarmos este tipo de comportamento, por exemplo, em pessoas que se encontram em pleno ápice da separação. Muitos mal terminam suas histórias e já saem correndo de um lado para outro para encontrar um substituto para seu vazio, confundindo o ficar só (período de solidão necessário para a elaboração de seus conflitos emocionais) com o fracasso pessoal, repetindo os mesmos scripts na nova relação que se estabelece.

Nesse sentido, costumo comparar o relacionamento com um prédio em construção. Muitas vezes, queremos construí-lo num tempo recorde maquiando suas imperfeições para alcançar nossos lucros, sem pensarmos, porém, que se não estabelecermos fundações sólidas, ele poderá apresentar problemas básicos e até desmoronar colocando em risco a vida daqueles que ali irão morar.

Assim é o relacionamento. A pressa que temos de ter alguém ao nosso lado, sem avaliarmos se nossas próprias bases estão sólidas para construirmos uma vida ao lado do outro, leva muitos relacionamentos ao fracasso porque aqui, depois daquele vislumbre inicial, vamos entrando em contato com a verdadeira realidade da vida a dois, a qual sempre será permeada por diferenças individuais, muitas vezes irreconciliáveis.

É neste momento que encontramos inúmeras pessoas queixando-se por nunca terem encontrado o companheiro ideal. Isto porque ao pular de um relacionamento para outro num piscar de olhos, elas não dão espaço para o próprio conhecimento interior, projetando no outro toda a sua vulnerabilidade. Como resultado, ao sairem à procura de um novo amor, de alguém idealizado, acabam fadadas a nunca encontrá-lo, pois os outros nunca irão preencher o vazio interior que a elas pertence e que não pode ser ocupado por ninguém a não ser por elas mesmas.

Por isso, antes de procurar alguém para dividir sua vida, veja se você mesmo está feliz com o que é, para que não projete no outro seus próprios medos e fracassos. Isto porque o parceiro ideal é aquele que não busca na carência uma solução, mas sim que em sua maturidade emocional consegue repartir a beleza que extrai da vida, podendo aí sim compartilhar a sua felicidade com aquela pessoa que escolheu para amar.