Artigo


Quanto vale sua felicidade? O critério financeiro na escolha ou separação amorosa

Qual é a influência do dinheiro nos relacionamentos? Será que ele é um determinante na hora de uma escolha ou de uma suposta separação?

O que tenho observado ultimamente é que algumas pessoas acabam estabelecendo seus relacionamentos e escolhas de vida, baseadas em interesses puramente econômicos, seja por medo da falta de recursos para sua sobrevivência ou por não acreditarem em suas próprias capacidades.

Crêem que se tiverem materialmente tudo o que desejarem estarão seguras e, portanto, aptas a encontrar a tão sonhada felicidade. Afinal, quem não gosta de vestir-se bem, divertir-se, fazer belas viagens, não se preocupar com as contas a pagar.....

O velho ditado: "dinheiro não traz felicidade, mas compra", é questionável.

Claro que o dinheiro é essencial na nossa vida, todos nós primamos por ele, mas a felicidade não pode ser comprada, porque ela não está lá fora à venda nas prateleiras. Você a carrega consigo, ela brota do mais íntimo do seu ser. Sua manutenção dependerá de como você se sente interiormente e não com a imagem que você tenta passar para os outros, ou para si mesmo, convencendo-se do contrário e amparado pelos artifícios exteriores.

Lembre-se que a falta de amor, o vazio interno e a carência são do indivíduo e estarão presentes onde ele estiver, não podendo ser compensados por simples ilusões.

As pessoas que estabelecem seus relacionamentos baseados na simples equação econômica, por certo não se interiorizam porque têm medo de enxergar que elas próprias não se amam. Vendem sua vida porque o medo de se deparar com seu fantasma interno, com sua sombra, com suas reais necessidades é tanto, que elas preferem viver na superficialidade, no mundo das aparências.

E quanto mais elas se distanciam de si mesmas, tentando obter do mundo externo uma resposta para sua falta de amor próprio (e agora pelo outro também, já que o amor verdadeiro não se baseia neste quesito), mais aumenta o seu abismo interno. E aqui surge a depressão, a infelicidade profunda.

Por mais que ela negue sua realidade, a vida vem e faz sua cobrança, seja por meio de doenças físicas, psíquicas ou por crises financeiras.

O amor como lucro

Muitos interpretam, ainda, o conceito de amor como lucro, obtenção de vantagens, benefício em prol de si mesmo. Eu fico com a pessoa, muitas vezes finjo amá-la ou me coloco como vítima, mas recebo algo em troca. Não o carinho, o afeto natural, mas sim uma pseudofelicidade baseada em conveniências recíprocas.

Nestes casos, ambos são infelizes, pois o fluir da relação não é baseado no amor profundo e verdadeiro, mas sim nas aparências, na luxúria, no sexo, no prazer, nos interesses pessoais, na obtenção de pseudovantagens.

Tenho observado também que muitos casais continuam a trilhar seus caminhos juntos fisicamente, mas não emocionalmente, numa relação onde o dinheiro fala mais alto.

Em alguns casos, o indivíduo que é economicamente o dependente na relação, acaba se sujeitando a vários tipos de humilhação de ordem moral e pessoal, ou porque crê não ser capaz de sustentar a si próprio, ou por medo de perder o conforto material que a relação lhe traz. Em contrapartida, o provedor permanece na relação porque não deseja que seu patrimônio seja dilapidado.

Em ambos os casos, eles esquecem que na balança da vida tudo envolve ganhos e perdas constantes. Às vezes, tenho que amputar aquilo que está doente para poder sobreviver. E é aqui que questiono: "Quanto será que custa sua liberdade, o seu valor próprio? Que preço tem a sua felicidade, o amor, o respeito, a sinceridade?"

Como você pode ver, há coisas que o dinheiro não compra. Se pensarmos de que vale uma vida financeira estável, se não tenho paz de espírito e felicidade e gasto rios de dinheiro para cuidar da minha saúde física e emocional? Se não estou bem comigo mesmo, como posso desfrutar de tudo aquilo que o dinheiro pode me trazer?

Pois é, a verdadeira riqueza da vida não é necessáriamente financeira. A felicidade de ser você mesmo, de se amar, se respeitar é a chance de ouro que te fará crescer para um patamar mais alto do que vive hoje, pois a criatividade, a paz interior, a alegria contagiante e o amor autêntico são patrimônios da alma que podem gerar verdadeiros lucros.

Crise financeira ou amorosa?

Observe, por exemplo, um casal que esteja totalmente integrado, que sintam um amor verdadeiro e desinteressado, na hora da dificuldade financeira, como eles agem? Incentivam as potencialidades de cada um, porque através destas eles conseguem atingir novamente o nível de equilíbrio da balança.

E o casal que estabelece seu relacionamento calcado no interesse financeiro? Como eles reagiriam frente a esta questão? Pois lembre-se, na vida tudo é impermanente. Hoje posso ter dinheiro e amanhã não, seja por uma crise no mercado financeiro, um adoecimento do cônjuge que gerava o capital, uma gestão não bem equilibrada das finanças. E aqui, tudo o que recusávamos ver, vem à tona através de desafetos e brigas intermináveis.

Por isso não podemos jogar as sementes de nossos projetos de vida exclusivamente no aspecto financeiro, pois nada nos garante que amanhã gozaremos da mesma sorte.

Encontrando o seu valor

Para achar o seu valor, mate o companheiro! Não se preocupe... não estou falando de um assassinato, mas sim haja, retome as rédeas da sua vida, faça seu planejamento como se o outro nunca tivesse existido!

Pergunte-se: "Ele se foi, estou só, o que faço agora?"

Isto te dá medo, insegurança, angústia...ou.....por que vou pensar nisto?

Pare! Olhe para dentro de você e aprenda a enxergar que talvez esta seja a sua maior chance de progresso na vida, pois poderá despertar potencialidades em si que jamais imaginou existirem. Neste momento, você poderá galgar para uma posição financeira maior, igual ou menor... mas não importa.... porque tudo terá gosto de vitória, porque aqui você é livre para amar-se em primeiro lugar e compartilhar da sua felicidade como desejar. Quer lucro maior que este?

Não venda sua alma por pouco. Você é muito maior do que isto. A liberdade de ser você mesmo, ter sua paz, fazer suas escolhas afetivas ou materiais vibrando a cada pequena conquista, não tem preço.